“Sendo eu um poeta, cujo exercício na poesia começou na adolescência e seu desenvolvimento desaguou na publicação de poemas, a criação deste livro, considerando a sobrevivência de redutos de leitores que mantêm postura conservadora quanto à poesia de lastro erótico, levou-me a guardá-lo, silencioso, em arquivo digital até que, passado um bom tempo, desejei conhecer a opinião de amigos e amigas”, confidencia Florisvaldo.
E assim, na próxima quinta-feira, 21, o poeta, jornalista, professor e imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB) Florisvaldo Mattos apresenta a todos Ponteio com tercetos sensoriais (P55, 76 pgs., R$ 70), seu novo livro. A noite de autógrafos será a partir das 17h no Boteco Português (Rio Vermelho).
Composta de um longo poema, a obra reúne 180 versos de estrutura em decassílabos, distribuídos em 60 estrofes com rimas sequenciais de uma mesma tônica, atrelando-se a um gênero que possui alta dimensão na história da poesia desde a antiguidade: o erotismo.
Com prólogo do poeta Ruy Espinheira Filho, ensaio crítico de Paulo Martins e ilustrações de Ângelo Roberto, aos 94 anos, Flori – como é conhecido por amigos e ex-alunos – nos oferece uma publicação em que a trama é recheada de lirismo e sensualidade. “Trata-se de uma poesia envolvendo o erotismo, porém distante da poesia erótica propriamente dita, de expressão concentrada no sexual, dominada pela relação física, pelo sexo, aproximando-se mais de um sentimento amoroso sem apelar para a pornografia e a obscenidade”, ressalta o poeta.
Festividade e desejo
Desta forma, Ponteio com tercetos sensoriais oscila, com maestria, entre o lirismo mais delicado e o erotismo explícito, com o cuidado de jamais descambar para o universo da vulgaridade. “A opção por redigir o que consta deste livro é claramente fruto da maturidade, centrado em múltiplas experiências, que vêm da mocidade, onde as sensações se aglutinavam, despertando vivências em cenários de múltiplos sentimentos festivos”, descreve o decano da literatura.
Paulo Martins relata que Florisvaldo se guiou por uma linha de ‘erotismo exposto’, mas como não queria ser visto como pornográfico adotou o pseudônimo de Honorino (Ioiô) Rial, funcionário aposentado do Instituto Brasileiro de Grafologia. Como Ioiô, seu poema é a história de um sonho que nasce do deslumbramento súbito diante de uma mulher, e desencadeia uma rede de referências que inclui Félix Arvers, Ovídio, Propércio, Virgílio, Camões, Mário de Sá-Carneiro, Kiki de Montparnasse, Ninón Sevilla, Lolita e Benedito Lacerda.
Esta nova obra do ex-editor de A TARDE reflete um momento único em sua vida: a visão momentânea de uma mulher que surge, repentinamente, diante dele e aflora seus sentimentos de amor e desejo.
Florisvaldo acredita que, através desta trama, o leitor marchará por uma senda sensual e humanista. “E por isso é um livro sem qualquer outro propósito, porque não tenho qualquer classificação pessoal para o erotismo, nem o tomo como seu tema essencial. Principal é o sentimento amoroso sem alimentar a sua junção com a vulgaridade”, pontua.
O autor credita sua vitalidade em plenos 94 anos de idade ao fato, também, de ter tido uma infância saudável. “Nasci no interior da região cacaueira, sobre solo grandemente fértil de folhas secas e sob verdejantes frondes de roças de cacau, transitei por campinas e cavalguei por estradas com ladeiras de barro vermelho; nadei em rios, bebi água fresca de riachos, pesquei piabas; subi em árvores, colhi frutos, vivi em vilas e cidades”.
“Publiquei livros, conjugando poemas épicos, líricos e satíricos, e de ensaios, centrados nos campos da literatura e das ciências humanas, com um total de 18 obras. Hoje, sentado na varanda ou diante do computador, a digitar postagens, arriscado a vê-las tomadas como hilário manejo de futilidades”, arremata o mestre.
Quanto a um possível legado, Florisvaldo, humildemente, não acredita que possa deixar algum, o que, para os leitores, seria quase impossível. “Legados individuais existem, mas sujeitos a um processo de limitação regido pela identidade. Portanto, nada almejo quanto a uma circense possibilidade de deixar algum legado, mesmo mínimo, a uma nova geração de escritores”, finaliza.
Já para o escritor Ruy Espinheira, Florisvaldo Mattos certamente deixará uma herança literária, já que é um dos grandes poetas do Brasil. “Um poeta maior, uma maravilha. Este livro é um poema fabuloso, de ordem amorosa, de muita sensualidade. Ele é mestre em tudo que faz. Um belo presente para a literatura”.
Minibio
Nascido em Uruçuca (Ba), em 1932, Florisvaldo Mattos é poeta, jornalista, professor aposentado Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pertence à Academia de Letras da Bahia (ALB).
Exerceu funções em vários jornais, inclusive como editor-chefe, no Diário de Notícias e em A TARDE, chefe de sucursal na Bahia do Jornal do Brasil, e editor do caderno A TARDE Cultural, premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1995.
Entre suas obras estão Reverdor, 1965; Fábula civil, 1975; A caligrafia do soluço & poesia anterior, 1996; Mares anoitecidos, 2000; Poesia reunida e inéditos, 2011; Estuário dos dias e outros poemas, 2017; A comunicação social na revolução dos alfaiates, 2018; Academia dos rebeldes e outros exercícios redacionais, 2022.
Formado em direito, Florisvaldo optou pelo jornalismo. Nos anos de 1960, integrou em Salvador o grupo da chamada Geração Mapa, liderado pelo cineasta Glauber Rocha.
Sua obra foi traduzida em Portugal, Espanha, França e Alemanha.
Lançamento do livro Ponteio com tercetos sensoriais, de Florisvaldo Mattos / 21 de maio / a partir das 17h / Boteco Português (R. Borges dos Reis, 16, Rio Vermelho.
FLORISVALDO MATTOS CELEBRA
94 ANOS COM O LANÇAMENTO DE
“PONTEIO COM TERCETOS SENSORIAIS
Leal Kostav
No Rio Vermelho, Salvador, o poeta baiano Florisvaldo Mattos prepara-se para lançar seu mais novo livro, Ponteio com tercetos sensoriais, no dia 21 de maio de 2025, às 17h, no Boteco Português. A obra inédita, que reúne sessenta tercetos, é uma celebração da poesia erótica que ultrapassa o explícito para se tornar uma experiência lírica e sensorial.
A Gênese e a Identidade do Livro
Escrito inicialmente sob o pseudônimo Honorino (Ioiô) Rial, o livro permitiu ao autor explorar o erotismo com liberdade, desvinculado da sua persona pública como acadêmico e jornalista. Agora, Florisvaldo assume a autoria, revelando uma obra que dialoga com grandes nomes da literatura erótica, como Camões e Mário de Sá-Carneiro. Paulo Martins, escritor que faz a apresentação da obra, destaca que Florisvaldo Mattos transita com maestria entre a delicadeza e a intensidade da paixão, evitando qualquer rastro de vulgaridade e elevando o erotismo à condição de arte e sonho. A coragem do autor em assumir a obra como expressão vital de sua maturidade artística é um testemunho da força criativa que permanece viva aos 94 anos.
Poesia que Transcende o Desejo 
Os versos de Florisvaldo Mattos destacam-se pela musicalidade e pela delicadeza com que tratam o erotismo. Paulo Martins, também poeta, define o poema como “um sonho desencadeado pelo encontro súbito com uma mulher”, onde amor e desejo se entrelaçam sem vulgaridade.
Trechos como:
“Entre lençóis ou no sofá da sala,
És a luz que me espera. A Lua fala.
Sonoro vento sopra em céu de opala.”
revelam uma atmosfera quase mágica, onde o corpo e a natureza se fundem em imagens sensoriais que ampliam a experiência do leitor.
Outro trecho expressa a doçura e a intensidade do prazer:
“De cima a baixo, ó tempora, ó mores!
E eu, a sentir que vem de teu clitóris
Uma doçura de ambrosia… Ó flores!”
Aqui, o erotismo é elevado a uma experiência quase divina, com o uso da ambrosia, alimento dos deuses, simbolizando a transcendência do desejo.
A força do toque e da sensação é capturada em:
“Tens uma lua de ouro dentre as pernas.
Levas-me a ela, com mãos leves e ternas.
Rasgam-me o corpo sensações eternas.”
A metáfora da “lua de ouro” entre as pernas traduz a potência e a ternura do encontro, enquanto o verbo “rasgam” sugere uma ruptura que leva a sensações atemporais.
Técnica e Estilo
A escolha do terceto confere ritmo e musicalidade ao poema, equilibrando controle formal e espontaneidade emocional. A intertextualidade com autores clássicos enriquece o texto, situando-o em um diálogo com a tradição da poesia erótica, mas com uma voz singular, marcada pela maturidade do autor.
RECONHECIMENTO E TRAJETÓRIA
Com selo da P55 Edição, o livro traz prólogo do poeta Ruy Espinheira Filho e ilustrações do artista plástico Ângelo Roberto, que complementam a carga sensorial dos versos.
Natural de Uruçuca (BA), Florisvaldo Mattos, membro da Academia de Letras da Bahia, é uma das figuras mais respeitadas das letras baianas. Poeta, jornalista e professor aposentado da UFBA, foi peça-chave na era de ouro do jornalismo cultural brasileiro, tendo editado o premiado caderno A Tarde Cultural. Sua obra, que inclui títulos fundamentais como Reverdor (1965) e a recente antologia Catorze janelas abertas (2025), é um testemunho da evolução da poesia contemporânea no Brasil.
O lançamento de Ponteio com tercetos sensoriais não é apenas a apresentação de um livro, mas o convite para testemunhar a perenidade do talento de um homem que continua a desafiar as convenções através da potência da linguagem. Aos 94 anos, Florisvaldo Mattos é um ícone das letras baianas. Seu novo livro reafirma sua relevância e capacidade de inovar na poesia contemporânea.
SERVIÇO
O quê: Lançamento do livro Ponteio com tercetos sensoriais
Autor: Florisvaldo Mattos (Editora P55 Edição)
Data: 21 de maio de 2025, às 17h
Local: Boteco Português – Rua Borges dos Reis, 16, Rio Vermelho, Salvador (BA)
Valor do livro: R$ 70,00
Contatos:
P55 Edição: André Portugal / Marcelo Portugal | (71) 99609-9701 | producao@p55.com.br
Autor: Florisvaldo Mattos | florismattos@gmail.com
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Nesta quinta-feira, 21, o poeta, jornalista, professor e imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB) Florisvaldo Mattos apresenta a todos “Ponteio com tercetos sensoriais” (P55, 76 pgs., R$ 70), seu novo livro. A noite de autógrafos será a partir das 17h no Boteco Português (Rio Vermelho).
O erotismo como se conheceu depois do século XVII – na Europa e no Oriente – era estranho aos gregos e romanos, que preferiam a narração mais ou menos crua dos seus encontros amorosos, sem as reservas que as religiões e a moram impuseram a Leste e Oeste, estimulando a malícia, o duplo sentido e a alusão atrevida, quando não a referência direta e rude, para escândalo e delícia de reprimidos leitores e ouvintes.
Catulo, Marcial e Ovídio traziam versos eróticos. Aretino, Boccacio, Ronsard, La Fontaine, Kean-Jacques Rousseau, Goethe, Verlaine, D.H.Lawrence, Neruda, Drummond e muitos outros fizeram versos de paixão e desejo. No Oriente, desde a época mais remota o Japão integrou o erotismo no seu dia-a-dia, seja entre as classes cultas ou entre o povo. O Xintoísmo deu ao erotismo japonês força particular, pela ênfase que dá à relação entre homem e natureza. A arte do beijo, codificada no século IX, desce a detalhes que nem o cinema contemporâneo ocidental mostra.
Por volta do ano 1000, no Japão, o Xintoísmo adotou o culto do falo nos seus tempos, e dois séculos antes o Budismo, chegado da Índia pela China em 552 a.D., havia assimilado o erotismo xintoísta com naturalidade. O final do século XVII viu o apogeu da arte erótica japonesa. Dois nomes dominaram o período: Utamaro e Hokusai.
A poesia erótica ocidental tem raiz em seu livro sagrado (que os judeus chamam de Sagrada Escritura e os cristãos de Antigo Testamento) – na Bíblia, no Cântico dos Cânticos, de Salomão. E como, nos seus cantares, se refere o rei poeta aos dotes da Sulamita? Em termos como estes, cuja sensualidade não elimina a pureza:
“Quão belos são os teus pés
nas sandálias que trazes, ó filha de príncipe!
As colunas das tuas pernas são como anéis
trabalhados por mãos de artista.
O teu umbigo é uma taça arredondada,
que nunca está desprovida de vinho.
O teu ventre é como um monte de trigo
cercado de lírios.
Os teus dois seios são como dois filhinhos
gêmeos duma gazela.
O teu pescoço é como uma torre de marfim.
Os teus olhos são como as piscinas de Hesebon,
que estão situadas junto da porta de Bat-Rabim.
o teu nariz é como a torre do Líbano,
que olha para Damasco.
A tua cabeça levanta-se como o monte Carmelo;
os cabelos da tua cabeça são como a púrpura
um rei ficou preso às suas madeixas.
Quão formosa e encantadora és,
meu amor, minhas delícias!
A tua figura é semelhante a uma palmeira.
Eu disse. Subirei à palmeira,
e colherei os seus frutos.
Os teus seios serão, para mim, como cachos de uvas,
e o perfume da tua boca como o das maçãs”.
A repressão a toda esta literatura erótica não aconteceu durante a Idade Média. A vontade de censura só começaria verdadeiramente em princípios do século 17, quando surgiu o hábito de se associar a ideia de depravação à descrença religiosa. “Mas surgiu o medo de, ao tolerar licenças de expressão sobre a sexualidade, dar a impressão de estarem autorizando também as blasfêmias”, conta Alexandrian em História da Literatura Erótica. Mas a censura não deu o menor resultado, aconteceu o contrário. A partir do século 17, a literatura erótica se rebelou mais rica, mais talentosa e mais popular do que nunca. “Um preconceito permanente”, escreve Alexandrian em sua História do Erotismo, “reside na crença de que o cristianismo foi inimigo da literatura erótica, ao passo que o paganismo teria sido seu defensor incondicional. Na realidade, não foram os padres da Igreja e sim os filósofos estóicos, como Sêneca, que começaram a chamar os órgãos genitais de ‘partes vergonhosas’, ou pudendas (os gregos diziam oidia)”.
Poesia Erotica 02
Gutemberg Cruz
O jornalista, professor e escritor Florisvaldo Mattos lançou, nesta quinta-feira (21), o livro Ponteio com tercetos sensoriais, nova obra publicada pela P55 Editora. O evento será realizado a partir das 17h, no Boteco Português, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Aos 94 anos, o integrante da Academia de Letras da Bahia amplia sua trajetória literária com uma publicação marcada pelo lirismo e pela sensibilidade poética.
Vamos conhecer alguns dos poetas eróticos.
Públio Ovídio Nasão (43ac/17dC) foi o mais acessível aos poetas latinos de uma era pós-clássica. O seu recontar das lendas clássicas apelava não só pela vivacidade das suas descrições, mas também por uma certa leveza e ironia do tom. Ele fornece erotismo, mas ao mesmo tempo torna-o distante, difuso, removendo quaisquer sentimentos de ameaça ou de perigo. Ovídio tinha gozado de uma grande popularidade na Idade Média, desde o século XII em diante. Sua obra atravessou os séculos, sendo recuperada definitivamente na Idade Média, quando passou a servir de paradigma para os grandes poetas latinos. É possível sentir a sua influência em muitos romances medievais. Mas só na Renascença se tornou possível ilustrar a sua obra de uma forma totalmente desinibida. Tanto A Arte do Amor (1 a. C.) como o Metamorfoses (2 d.C.) ofereciam temas que foram avidamente trabalhados.
O mais sentimental dos elegíacos, sendo Carpeaux, poeta de forte caráter individualista. Quando escreveu as Metamorfoses, o poema mais longo da literatura latina, Ovídio tinha quase 40 anos e estava prestes a ser exilado de Roma. Com 15 livros e cerca de 14 mil versos, as Metamorfoses são o maior compêndio de fábulas da Antiguidade. Dá provas de grande virtuosidade métrica e sobretudo de grande riqueza imaginativa no aproveitamento de lendas mitológicas. A obra se inscreve na longa tradição do poema didático, que em Roma deu frutos portentosos como a Arte Poética, de Horácio, e De Rerum Natura, de Lucrécio. A idéia de reunir os mitos vinha dos alexandrinos, obcecados pelo inventário e pelo jogo de erudição. Foi talvez o poeta latino que mais influência teve no renascimento italiano e através dele nas literaturas européias ocidentais desde então até nossos dias.
“Se da bela no peito sedutor
cai um grão de poeira
sacode-o com os dedos prontamente
e mesmo que a poeira
o desejado peito não macule
sacode o grão de poeira inexistente.
Que tudo te sirva de pretexto
para mostrares a tua cortesia.
Notas que o manto demasiado longo
se arrasta pelo chão?
Pega na orla e da imunda terra
levanta-o gentilmente.
Sem à jovem fazeres qualquer ofensa
das suas belas pernas
os teus olhos terão a recompensa”.
A Antiguidade abrange não só obras de escritores “respeitáveis” e edificantes como Cícero e Virgílio, mas também os contos luxuriosos de Ovídio, Luciano e Petrônio, as obscenidades de Marcial, Juvenal e Catulo, e de diversos outros. A magnífica linhagem de erudição, que vai de Petrarca a Erasmo, produziu também Pietro Aretino, o mais famoso dos autores pornográfico do Renascimento e – não coincidentemente – do período final da Reforma.
O escritor e teólogo inglês John Donne (1572/1631) era considerado o maior poeta metafísico. Em seus poemas, a inspiração mística junta-se aos requintes do preciosismo (vale lembrar que Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos musicaram o trabalho do poeta inglês intitulando Elegia na vez de Caetano Veloso, do disco Cinema Transcendental, de 1979):
“Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado.
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é o nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu
Aos homens Tu, meu anjo, és como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, embaixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista!
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império,
Feliz de quem penetre o teu mistério!.
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo) sem
Vestes. As jóias que a mulher ostenta
São como as bolas de ouro de Atalanta:
O olho de tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a que tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-te:
Atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante.
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Aos 94 anos, o mestre Florisvaldo Mattos nos presenteia com "Ponteio com tercetos sensoriais", uma obra que eleva o erotismo ao patamar do sonho e da alta literatura. O lançamento acontece dia 21/05, no Rio Vermelho. Não perca este marco da poesia baiana!
Muito obrigado, nobre jornalista Vítor Hugo Soares, por este para mim honroso comentário, marcado pela leveza redacional. Poesia, sempre, amigo!
POESIA NA VEIA: "PONTEIO
COM TERCETOS SENSORIAIS"
(de Floriavaldo Mattos)
A POESIA SENSORIAL, ERÓTICA E ESSENCIAL DE FLORISVALDO MATTOS, NO NOVO LIVRO QUE O BRILHANTE , ADMIRADO E QUERIDO POETA E JORNALISTA FLORISVALDO MATTOS LANÇA NESTA QUINTA-FEIRA (HOJE, 21/5), EM TARDE E NOITE DE AUTÓGRAFOS, NO BOTECO PORTUGUÊS. RIO VERMELHO, A PARTIR DAS 17H. TODA SENSUALIDADE E LIRISMO APLiCADOS NA VEIA NOS POEMAS DESTE NOVO LIVRO DE FLORI, MESTRE COMPETENTE E QUERIDO DE MUITAS GERAÇÕES (INCLUINDO A MINHA) NA FACULDADE DE JORNALISMO DA UFBA. INSUPERÁVEL TAMBÉM NA PROMOÇÃO DE GRANDES ENCONTROS DE COMUNICAÇÃO, AFETOS, POESIA E CULTURA, A EXEMPLO DESTE DE LOGO MAIS, ESTOU CERTO. TODOS LÁ. (Vitor Hugo Soares, compartilhado de A Tarde).
'Ponteio com tercetos sensoriais': conheça o novo livro de poesia erótica de Florisvaldo Mattos - Foto: Divulgação
“Sendo eu um poeta, cujo exercício na poesia começou na adolescência e seu desenvolvimento desaguou na publicação de poemas, a criação deste livro, considerando a sobrevivência de redutos de leitores que mantêm postura conservadora quanto à poesia de lastro erótico, levou-me a guardá-lo, silencioso, em arquivo digital até que, passado um bom tempo, desejei conhecer a opinião de amigos e amigas”, confidencia Florisvaldo.
E assim, na próxima quinta-feira, 21, o poeta, jornalista, professor e imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB) Florisvaldo Mattos apresenta a todos Ponteio com tercetos sensoriais (P55, 76 pgs., R$ 70), seu novo livro. A noite de autógrafos será a partir das 17h no Boteco Português (Rio Vermelho).
longo poema, a obra reúne 180 versos de estrutura em decassílabos, distribuídos em 60 estrofes com rimas sequenciais de uma mesma tônica, atrelando-se a um gênero que possui alta dimensão na história da poesia desde a antiguidade: o erotismo.
Com prólogo do poeta Ruy Espinheira Filho, ensaio crítico de Paulo Martins e ilustrações de Ângelo Roberto, aos 94 anos, Flori – como é conhecido por amigos e ex-alunos – nos oferece uma publicação em que a trama é recheada de lirismo e sensualidade. “Trata-se de uma poesia envolvendo o erotismo, porém distante da poesia erótica propriamente dita, de expressão concentrada no sexual, dominada pela relação física, pelo sexo, aproximando-se mais de um sentimento amoroso sem apelar para a pornografia e a obscenidade”, ressalta o poeta.
O LIVRO DE FLORISVALDO MATTOS ENCANTA
Luís Guilherme Pontes Tavares
O livro Ponteio com tercetos sensoriais (Salvador: P-55, 2026), do escritor Florisvaldo Mattos, 94 anos, lançado na noite de 21mai2026 (quinta-feira), no Boteco Português, no Rio Vermelho, tem características que o distingue. Tem 64 páginas, os versos ocupam 21 delas, os comentários sobre eles, assinados pelo escritor Paulo Martins, 83 anos, ocupam 26, configurando trato dialógico à obra. Além disso, o livro tem o prefácio do escritor Ruy Espinheira Filho, 84 anos, e ilustração do saudoso desenhista Angelo Roberto (1938-2018). Todos baianos e amigos de toda vida.
Trata-se, ademais, de capa dura, com formato pequeno, com ilustrações coloridas, impresso em papel especial, o que distingue o livro, também, como objeto precioso e raro.
A escritora Aninha Franco sentenciou: “O Livro é uma Joia Poética com refinadíssimo tratamento editorial”. O fez no Facebook, em 22mai2026, comentando assim o autógrafo que recebeu do autor no lançamento de quinta-feira.
Compartilho as fotos da capa, do autógrafo e da caricatura que Angelo Roberto fez, em 2010, do autor e amigo Florisvaldo Mattos.
Florisvaldo Mattos, caricatura de Ângelo Roberto
ANINHA FRANCO22.05.2026
O Poeta
Florisvaldo Mattos estava maravilhoso, ontem, autografando seu Livro Ponteio com tercetos sensoriais. Aos 94 anos me contou que sempre acompanha nas redes meus encontros de Domingo com meu Irmão
Joaquim que foi seu colega na Faculdade de Direito.
O Livro é uma Joia Poética com refinadíssimo tratamento editorial.
