“Sendo eu um poeta, cujo exercício na poesia começou na adolescência e seu desenvolvimento desaguou na publicação de poemas, a criação deste livro, considerando a sobrevivência de redutos de leitores que mantêm postura conservadora quanto à poesia de lastro erótico, levou-me a guardá-lo, silencioso, em arquivo digital até que, passado um bom tempo, desejei conhecer a opinião de amigos e amigas”, confidencia Florisvaldo.
E assim, na próxima quinta-feira, 21, o poeta, jornalista, professor e imortal da Academia de Letras da Bahia (ALB) Florisvaldo Mattos apresenta a todos Ponteio com tercetos sensoriais (P55, 76 pgs., R$ 70), seu novo livro. A noite de autógrafos será a partir das 17h no Boteco Português (Rio Vermelho).
Composta de um longo poema, a obra reúne 180 versos de estrutura em decassílabos, distribuídos em 60 estrofes com rimas sequenciais de uma mesma tônica, atrelando-se a um gênero que possui alta dimensão na história da poesia desde a antiguidade: o erotismo.
Com prólogo do poeta Ruy Espinheira Filho, ensaio crítico de Paulo Martins e ilustrações de Ângelo Roberto, aos 94 anos, Flori – como é conhecido por amigos e ex-alunos – nos oferece uma publicação em que a trama é recheada de lirismo e sensualidade. “Trata-se de uma poesia envolvendo o erotismo, porém distante da poesia erótica propriamente dita, de expressão concentrada no sexual, dominada pela relação física, pelo sexo, aproximando-se mais de um sentimento amoroso sem apelar para a pornografia e a obscenidade”, ressalta o poeta.
Festividade e desejo
Desta forma, Ponteio com tercetos sensoriais oscila, com maestria, entre o lirismo mais delicado e o erotismo explícito, com o cuidado de jamais descambar para o universo da vulgaridade. “A opção por redigir o que consta deste livro é claramente fruto da maturidade, centrado em múltiplas experiências, que vêm da mocidade, onde as sensações se aglutinavam, despertando vivências em cenários de múltiplos sentimentos festivos”, descreve o decano da literatura.
Paulo Martins relata que Florisvaldo se guiou por uma linha de ‘erotismo exposto’, mas como não queria ser visto como pornográfico adotou o pseudônimo de Honorino (Ioiô) Rial, funcionário aposentado do Instituto Brasileiro de Grafologia. Como Ioiô, seu poema é a história de um sonho que nasce do deslumbramento súbito diante de uma mulher, e desencadeia uma rede de referências que inclui Félix Arvers, Ovídio, Propércio, Virgílio, Camões, Mário de Sá-Carneiro, Kiki de Montparnasse, Ninón Sevilla, Lolita e Benedito Lacerda.
Esta nova obra do ex-editor de A TARDE reflete um momento único em sua vida: a visão momentânea de uma mulher que surge, repentinamente, diante dele e aflora seus sentimentos de amor e desejo.
Florisvaldo acredita que, através desta trama, o leitor marchará por uma senda sensual e humanista. “E por isso é um livro sem qualquer outro propósito, porque não tenho qualquer classificação pessoal para o erotismo, nem o tomo como seu tema essencial. Principal é o sentimento amoroso sem alimentar a sua junção com a vulgaridade”, pontua.
O autor credita sua vitalidade em plenos 94 anos de idade ao fato, também, de ter tido uma infância saudável. “Nasci no interior da região cacaueira, sobre solo grandemente fértil de folhas secas e sob verdejantes frondes de roças de cacau, transitei por campinas e cavalguei por estradas com ladeiras de barro vermelho; nadei em rios, bebi água fresca de riachos, pesquei piabas; subi em árvores, colhi frutos, vivi em vilas e cidades”.
“Publiquei livros, conjugando poemas épicos, líricos e satíricos, e de ensaios, centrados nos campos da literatura e das ciências humanas, com um total de 18 obras. Hoje, sentado na varanda ou diante do computador, a digitar postagens, arriscado a vê-las tomadas como hilário manejo de futilidades”, arremata o mestre.
Quanto a um possível legado, Florisvaldo, humildemente, não acredita que possa deixar algum, o que, para os leitores, seria quase impossível. “Legados individuais existem, mas sujeitos a um processo de limitação regido pela identidade. Portanto, nada almejo quanto a uma circense possibilidade de deixar algum legado, mesmo mínimo, a uma nova geração de escritores”, finaliza.
Já para o escritor Ruy Espinheira, Florisvaldo Mattos certamente deixará uma herança literária, já que é um dos grandes poetas do Brasil. “Um poeta maior, uma maravilha. Este livro é um poema fabuloso, de ordem amorosa, de muita sensualidade. Ele é mestre em tudo que faz. Um belo presente para a literatura”.
Minibio
Nascido em Uruçuca (Ba), em 1932, Florisvaldo Mattos é poeta, jornalista, professor aposentado Universidade Federal da Bahia (Ufba) e pertence à Academia de Letras da Bahia (ALB).
Exerceu funções em vários jornais, inclusive como editor-chefe, no Diário de Notícias e em A TARDE, chefe de sucursal na Bahia do Jornal do Brasil, e editor do caderno A TARDE Cultural, premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1995.
Entre suas obras estão Reverdor, 1965; Fábula civil, 1975; A caligrafia do soluço & poesia anterior, 1996; Mares anoitecidos, 2000; Poesia reunida e inéditos, 2011; Estuário dos dias e outros poemas, 2017; A comunicação social na revolução dos alfaiates, 2018; Academia dos rebeldes e outros exercícios redacionais, 2022.
Formado em direito, Florisvaldo optou pelo jornalismo. Nos anos de 1960, integrou em Salvador o grupo da chamada Geração Mapa, liderado pelo cineasta Glauber Rocha.
Sua obra foi traduzida em Portugal, Espanha, França e Alemanha.
Lançamento do livro Ponteio com tercetos sensoriais, de Florisvaldo Mattos / 21 de maio / a partir das 17h / Boteco Português (R. Borges dos Reis, 16, Rio Vermelho.
FLORISVALDO MATTOS CELEBRA
94 ANOS COM O LANÇAMENTO DE
“PONTEIO COM TERCETOS SENSORIAIS
Leal Kostav
No Rio Vermelho, Salvador, o poeta baiano Florisvaldo Mattos prepara-se para lançar seu mais novo livro, Ponteio com tercetos sensoriais, no dia 21 de maio de 2025, às 17h, no Boteco Português. A obra inédita, que reúne sessenta tercetos, é uma celebração da poesia erótica que ultrapassa o explícito para se tornar uma experiência lírica e sensorial.
A Gênese e a Identidade do Livro
Escrito inicialmente sob o pseudônimo Honorino (Ioiô) Rial, o livro permitiu ao autor explorar o erotismo com liberdade, desvinculado da sua persona pública como acadêmico e jornalista. Agora, Florisvaldo assume a autoria, revelando uma obra que dialoga com grandes nomes da literatura erótica, como Camões e Mário de Sá-Carneiro. Paulo Martins, escritor que faz a apresentação da obra, destaca que Florisvaldo Mattos transita com maestria entre a delicadeza e a intensidade da paixão, evitando qualquer rastro de vulgaridade e elevando o erotismo à condição de arte e sonho. A coragem do autor em assumir a obra como expressão vital de sua maturidade artística é um testemunho da força criativa que permanece viva aos 94 anos.
Poesia que Transcende o Desejo 
Os versos de Florisvaldo Mattos destacam-se pela musicalidade e pela delicadeza com que tratam o erotismo. Paulo Martins, também poeta, define o poema como “um sonho desencadeado pelo encontro súbito com uma mulher”, onde amor e desejo se entrelaçam sem vulgaridade.
Trechos como:
“Entre lençóis ou no sofá da sala,
És a luz que me espera. A Lua fala.
Sonoro vento sopra em céu de opala.”
revelam uma atmosfera quase mágica, onde o corpo e a natureza se fundem em imagens sensoriais que ampliam a experiência do leitor.
Outro trecho expressa a doçura e a intensidade do prazer:
“De cima a baixo, ó tempora, ó mores!
E eu, a sentir que vem de teu clitóris
Uma doçura de ambrosia… Ó flores!”
Aqui, o erotismo é elevado a uma experiência quase divina, com o uso da ambrosia, alimento dos deuses, simbolizando a transcendência do desejo.
A força do toque e da sensação é capturada em:
“Tens uma lua de ouro dentre as pernas.
Levas-me a ela, com mãos leves e ternas.
Rasgam-me o corpo sensações eternas.”
A metáfora da “lua de ouro” entre as pernas traduz a potência e a ternura do encontro, enquanto o verbo “rasgam” sugere uma ruptura que leva a sensações atemporais.
Técnica e Estilo
A escolha do terceto confere ritmo e musicalidade ao poema, equilibrando controle formal e espontaneidade emocional. A intertextualidade com autores clássicos enriquece o texto, situando-o em um diálogo com a tradição da poesia erótica, mas com uma voz singular, marcada pela maturidade do autor.
RECONHECIMENTO E TRAJETÓRIA
Com selo da P55 Edição, o livro traz prólogo do poeta Ruy Espinheira Filho e ilustrações do artista plástico Ângelo Roberto, que complementam a carga sensorial dos versos.
Natural de Uruçuca (BA), Florisvaldo Mattos, membro da Academia de Letras da Bahia, é uma das figuras mais respeitadas das letras baianas. Poeta, jornalista e professor aposentado da UFBA, foi peça-chave na era de ouro do jornalismo cultural brasileiro, tendo editado o premiado caderno A Tarde Cultural. Sua obra, que inclui títulos fundamentais como Reverdor (1965) e a recente antologia Catorze janelas abertas (2025), é um testemunho da evolução da poesia contemporânea no Brasil.
O lançamento de Ponteio com tercetos sensoriais não é apenas a apresentação de um livro, mas o convite para testemunhar a perenidade do talento de um homem que continua a desafiar as convenções através da potência da linguagem. Aos 94 anos, Florisvaldo Mattos é um ícone das letras baianas. Seu novo livro reafirma sua relevância e capacidade de inovar na poesia contemporânea.
SERVIÇO
O quê: Lançamento do livro Ponteio com tercetos sensoriais
Autor: Florisvaldo Mattos (Editora P55 Edição)
Data: 21 de maio de 2025, às 17h
Local: Boteco Português – Rua Borges dos Reis, 16, Rio Vermelho, Salvador (BA)
Valor do livro: R$ 70,00
Contatos:
P55 Edição: André Portugal / Marcelo Portugal | (71) 99609-9701 | producao@p55.com.br
Autor: Florisvaldo Mattos | florismattos@gmail.com
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Aos 94 anos, o mestre Florisvaldo Mattos nos presenteia com "Ponteio com tercetos sensoriais", uma obra que eleva o erotismo ao patamar do sonho e da alta literatura. O lançamento acontece dia 21/05, no Rio Vermelho. Não perca este marco da poesia baiana!

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