quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Lúcido ensaio em torno de traduções de famoso poema de Charles Baudelaire. Clique aqui.

Comentário de apresentação deste ensaio, por Florisvaldo Mattos, em postagem no Facebook precisamente em 14.02.2017.

PRESENÇA DA POESIA DE CHARLESBAUDELAIRE

Esse sugestivo estudo postado pelo escritor Wagner Schadeck sobre um dos mais famosos poemas de Charles Baudelaire, "L´albatros", conduz a análise por vários estágios de tonalidade expressiva, vislumbrando aspectos e temas que fazem dele um marco na poética revolucionária do grande francês, ao ponto até mesmo de, em dois de seus penetrantes parágrafos, manifestar estranheza ao papel desempenhado negativamente pelo parnasianismo, numa espécie de freio, que fez com que se retardasse, pelo interior do Brasil, a adoção do simbolismo e, com isso, prejudicando o avanço estético da poesia na rota da modernidade.
Chamou-me a atenção esse ponto, por considerar que está ainda para ser desvendado o motivo que levou o exercício do parnasianismo a dominar, por exemplo, a poesia baiana, fazendo-o prosseguir século XX adentro, nele folgadamente instalado, até começar a diluir-se e praticamente desaparecer por volta da segunda metade da década de 1950. Não sei se o mesmo aconteceu em outros estados do país, especialmente do Nordeste, acostumados a sempre andar em "ritmo de bonde".
Pode-se dizer que, na Bahia, a última manifestação organizada desse vezo poético e artístico viria a ocorrer, somente em 1952, com a publicação pelo poeta Flávio de Paula, da coletânea intitulada "Apóstolos do sonho", embora fantasmas parnasianos continuassem ainda a perambular pelas reuniões e salas da Academia de Letras da Bahia.
Justamente, por isso, por se ter alongado por demais a presença do parnasianismo na poesia baiana, é que me parece em falta um estudo apurado que explique este fenômeno, desde que (ouso supor) a sua superação só ocorreria em definitivo com a afirmação das ideias propaladas pelos integrantes da chamada Geração Mapa, no seu empenho de dar prosseguimento aos esforços da geração anterior (a de Caderno da Bahia) para a consolidação em definitivo dos princípios e práticas da estética modernista em terras baianas, por fim conquistada.
Fica assim a sugestão suscitada pela leitura dessa consistente análise da poética pioneira de Baudelaire, que, pelo seu significado informativo, resolvi compartilhar.

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