quarta-feira, 12 de novembro de 2014

LEMBRANDO O GUERREIRO RÚTILO

Mais que um cartão poético, mostra inegável de um poeta em sua força total. A data deveria merecer registro nacional. Em 1997, celebrando os 85 anos de lançamento do livro "EU", no Rio de Janeiro, escrevi um pequeno ensaio ("Augusto dos Anjos - O barulho do guerreiro rútilo"), no qual analisava a sua produção poética, qualificando-o como um poeta de timbre expressionista, que fugia totalmente à esquemática parnaso-simbolista dominante, e estranhava como pôde a turma modernista da Semana de Arte de 1922 tê-lo ignorado, misturando-o com a rejeitada malta da poesia passadista, pois, em certo sentido, era até mais modernista do que alguns deles, desde que, sem que se possa explicar, sua poesia se alinhava com a de grandes expressionistas alemães, nascidos como ele na década de 1880, tais como Georg Trakl, Georg Heym e Gottfried Benn, este último até considerado autor que praticava uma "poesia de necrotério". Augusto dos Anjos é, para mim, um dos maiores nomes das literaturas latinas - um poeta total... Era um poeta que se poderia perfeitamente encaixar na estética das vanguardas. Veja-se, entre outros, o seu poema "Tristezas de um Quarto Minguante", de recorte impressionantemente cubista, a merecer uma ilustração de Pablo Picasso (por sinal, seu contemporâneo, desde que este nasceu em 1881, e Augusto dos Anjos, em 1884, até três anos mais velho do que ele). Veja-se a segunda estrofe desse poema:
"Do observatório em que eu estou situado
A lua magra, quando a noite cresce,
Vista, através do vidro azul, parece
Um paralelepípedo quebrado."
MARAVILHA CUBISTA!
CARTÃO POÉTICO - AUGUSTO DOS ANJOS

Hoje, 12/11/2014, faz 100 anos que partiu o paraibano Augusto dos Anjos, um dos poetas mais populares do Brasil.

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